2 de nov de 2011

Sangrou, sangrou, sangrou e sorria como louca

  Perder-se de tudo e que esse tudo se afaste - o vácuo fica tão próximo que assusta. Aceitamos conformados o vazio intrínseco... ou não, ou nos rebelamos e buscamos de volta a ponta do cordão que quase escapou de nossos dedos porque na outra ponta há certa poesia que fugiu. Ver o pássaro tão de perto me fez bem por um momento, todavia, o momento acabou assim que ele se deu conta de meus olhos ávidos. E ele se foi, com o cordão no bico e a poesia nas penas verdes.
  É hora de se perder por aí, pé na estrada e fugir. Eu disse que o faria algum dia, sem ou com você, faz diferença e não importa. E agora eu vou, de peito aberto e coração protegido, pois se sangrei, já não sangro mais. E se chorei, se senti, se a saudade invadiu-me sorrateira e traiçoeira, não foi por querer, não foi por querer. Foi justamente por isso: por não querer. Não querendo, se tem o que não quer.
  Eventualmente eu vejo aquele pássaro, e quando acontece... é inevitável perder o cordão. É incontrolável, é um absurdo o modo com que eu perco o controle e perco a poesia. Eu perco a poesia o tempo todo. O tempo todo. E eu nunca quis perder, porém, sempre se tem o que não quer. Eu nunca quis sangrar, mas, sangrando eu consigo sorrir.

Um comentário:

  1. teus paradoxos me deram nós, e eu gostei... e mais: toda vez que você dizia que mais poesia perdia, mais poesia eu via! beijo!

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