12 de nov de 2011

Please tell me this is not for real...

  Karen observava seus pais atônita, eles a fitavam com lágrimas repletas de dor e angústia. Ela buscava em sua mente algo do qual ela tenha feito que carregasse tamanha gravidade, no entanto nada correspondia.
  Em meio à imensa confusão mental na qual se encontrava, ela foi surpreendida por um abraço pesado de sua mãe. - Minha filha... - dizia chorando sem disfarçar ou se controlar.
  - O que houve? - perguntava a menina impaciente. - Alguém poderia me dizer?
  - Karen - agora quem falava era seu pai, de modo mais contido do que a mãe. - Aconteceu algo terrível... - sem conseguir mais se controlar, deixou escapar um soluço, seguido de outro e mais outro e assim sucessivamente. E tentando achar um ponto de equilíbrio em meio ao pranto tempestuoso, ele prosseguiu - a sua irmã faleceu pela manhã.
  Nesse instante Karen teve a sensação de se transformar em fumaça. Ela esperou que eles consertassem o que acabara de ouvir, que desfizessem o engano, todavia, não o fizeram.
  Os pais piscaram e a menina já não estava mais lá. Ela correra para o quarto, em seguida se trancara em seu banheiro e ali permanecera, no canto, com a porta trancada, box fechado... e ela encolhida o máximo que seu corpo magro podia vergar-se. Não acreditava, tampouco se perguntava, pois realmente não acreditava. Não chorava ou respirava, não tinha força alguma. Apenas sentia, a pior coisa que já sentira na vida, chamar de dor não era o suficiente.Não queria recordar-se dos momentos vividos com a sua irmã mais velha, de todas as coisas fúteis que ela lhe ensinara, de todas as brigas tolas, de todas as críticas que faziam uma a outra por ciúme, por admiração oculta. Eram completamente iguais, contudo se obrigavam a ser totalmente diferentes. E tudo era sempre por amor.
  Karen não poderia controlar-se por muito mais tempo, exausta, deixou as lágrimas vencerem e os pensamentos tomaram-lhe conta. "Minha irmãzinha... não pode ser, por favor, não pode ser real" - ela sequer sabia a quem implorava, no entanto, implorava: que não fosse real - que a vida, naquele instante, não fosse real.

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