26 de nov de 2011

Esquizofrenia Fantástica

  Anna riscou da lista: depressão, bipolaridade e esquizofrenia. Em que colocar a culpa? Frequentemente os próximos afastavam-se, e ela assistia a todos partindo, sem fazer qualquer esforço. Onde estaria a menina que outrora fora tão alegre? Ficara no universo imaginário, naquele seu mundo fantástico, no qual ela jamais poderia colocar os pés novamente. Tal fato aprisionava-a em sua constante infelicidade, pois era naquele lugar em que ela encontrava a sua chance de vida; seus gramados vivos e intensamente verdes, o cheiro suave da neve e o toque vivo de sol. Era apenas lá, no Universo Fantástico, que o John poderia existir. E ao pensar nele, Anna verdadeiramente acreditava que não podia ser real, que todas as coisas tão mágicas e belas que vivera não passavam de peças de sua imaginação. John com toda a sua perfeição, sua amabilidade e sensibilidade extrema, sua firmeza tão branda, sua inteligência incomum, seu humor sarcástico e revoltado, sua voz suave, toda a sua leveza no olhar perdido que fazia perder-se em tão belo tom de verde, contrastando com sua pele alva e cabelos negros, sim, ele só poderia ser inventado - sua melhor ideia de sonho.

  Anna esqueceu-se da vida em seus devaneios e perdeu-se do lugar em que se encontrava, apenas com os olhos absorvidos pela água da piscina que enxergava logo abaixo da sacada na qual se encontrava. Forçou um sorriso para alguém lá embaixo e ouviu vozes próximas - anda, converse com ela, quem sabe assim ela saia de sua bolha - e sorriu para si, pensando que nunca mais se obrigaria a ir a uma festa para fugir de sua solidão, pois naquele momento, envolvida por gente e música, não se sentia menos solitária e pensava se algum dia conseguiria sentir-se melhor, alegre como fora antes; se voltaria ao Universo Fantástico ou reveria John. Lembrou-se de seu último contato com o mar, do qual, ao ouvir o som das ondas e os sussurros do vento, pensara escutar a voz de John. Não poderia ser... Então, deixou que escapasse um longo suspiro que foi, no mesmo instante, acompanhado por outro ao seu lado, num sobressalto olhou para o lado e viu dois olhos verdes e brilhantes contemplando-a, soltou uma exclamação inaudível - John! - e ele apenas sorriu antes de desaparecer novamente. E em completo estado de choque, sem saber o que fazer ou pensar, Anna acrescentou novamente em sua lista - esquizofrenia.

2 comentários:

  1. "destes 5 milhões de crianças e jovens em idade escolar, 20 crianças em toda Argentina devem estar sendo realmente tratadas como merecem, quer dizer: controlando o que realmente acontece"

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  2. Olá! Adorei o blog e a forma como você escreve!

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