28 de ago de 2011

Jupiter's lament

     Alexandra e Kate mais riam do que conversavam, radiantes por finalmente chegarem à praia. Estavam esperando por Anna no quiosque, esta ficara para trás olhando detalhadamente tudo do local, cada rocha, cada pedaço de areia, cada onda, sempre fascinada com tudo. Então Alexandra viu à mesa ao lado um grupo com três homens e reconheceu um deles, o mais velho, ao que parecia.
     - Olha quem está ali - Alexandra apontou discretamente para o homem de boné, barba e camiseta azul-marinho. - Eddie.
     - Ah, não, Anna não vai gostar nem um pouco de vê-lo quando chegar.
     - Não, acho que não terá problema algum. Ela própria me contou que a poucas semanas atrás conversou civilizadamente com ele e se entenderam.
     - Mas ela não me disse nada e, sinceramente, eles podem ter se entendido, mas eu não acredito que esteja tudo bem entre eles, não realmente, se é que me entende, depois de tudo que aconteceu...

     Calaram-se ao ver Anna aproximar-se reluzente e corada, ainda mais radiante do que as duas, esse tipo de passeio fazia muito bem a ela.
     - E aí, meninas - disse Anna sorridente. - Lindo este lugar, esta praia é maravilhosa. Adorei principalmente aquela parte ali - apontou para o lugar mais distante e isolado, onde findava a praia e iniciava-se um deslumbrante verde com a precedência de algumas rochas.
     - Você! sempre preferindo o que é deserto e fugindo do movimento - disse Kate divertindo-se. - Justo o movimento que é o mais importante.
     Ela olhou para Alexandra, as duas estavam apreensivas, não sabiam como falar que Eddie estava logo ali, ao lado. Anna poupou-as do constrangimento, pois a viram olhando repentinamente na direção dele e ficando imobilizada. E de modo mais estranho, ele olhara ao mesmo tempo e teve a mesma reação que ela. As duas assistiam constrangidas os dois fitando-se com a face surpresa e os olhos fixos um no outro. Então, Anna voltando ao normal primeiro, fingiu que não vira nada e olhou-as completamente perdida.
     - Eu esqueci... tenho de ver uma coisa na pousada, eu volto mais tarde - ela hesitou quando percebeu que as suas amigas sabiam o que estava acontecendo e que podia confiar nelas. - Eu não quero ficar aqui agora, quero dar uma volta, admirar um pouco mais o mar. Vocês entendem...
     As duas concordaram compreensivas e ela foi ao encontro das sublimes águas salgadas que tanto amava. Estava assombrosamente encantadora molhando seu vestido de uma cor idêntica a do mar; o vestido misturava-se às águas e só era diferenciado pelos desenhos amarelos e levemente alaranjados de girassóis. De repente Eddie também se levantou e foi em direção ao mar, mais especificamente, em direção à Anna. As duas amigas olhavam estupefatas, pensando que ele iria falar com ela, todavia, ele parou com alguns metros de distância dela. Ele ficou um certo tempo assim, contemplando-a enquanto ela contemplava o infinito que se seguia à sua frente. E veio em sua mente pensamentos turbulentos: "será que as coisas poderiam ter sido diferentes? Se eu tivesse me entregado ao desconhecido, como sei que ela faria...? Eu poderia ter ao menos tentando. Não, não posso acreditar sinceramente nisso. Nada que quiséssemos seria permitido. Simplesmente não era permitido... " Ele refletia tristemente, com um sorriso tolo no rosto e um brilho intenso nos olhos. Então, como se ela sentisse que estava sendo vigiada, olhou subitamente para trás e nesse momento a expressão de antes voltara e os dois permaneceram quietos, olhando-se entorpecidos e assombrados. Contudo as feridas que ele mesmo deixara nela, agora cicatrizadas, fizeram dela forte, por isso, ela foi a primeira a retornar a si. Cumprimentou-o com um simples "olá" e forçou inultimente um sorriso amável, virou-lhe as costas e foi embora. Deixando-o abismado, arruinado como muitas vezes o fizera.
 Eddie não pôde mover-se por longos segundo e, então, caiu de joelhos com as lágrimas suavemente escorrendo em seu rosto, amenizando a dor. Observou-a afastando-se cada vez mais, deixando marcas na areia branca e em seu íntimo. Viu-a ir cada vez mais longe, como a gravidade, o ar e tudo que o rodeava. Sabia que já tinha perdido seu corpo, que nunca tivera, de vez e para sempre, porém ainda acreditava ter sua alma. Agora sabia, não a tinha mais. "Nós nos perdemos pela eternidade, e eu já não tenho meus segredos. Então você vai partir, sim, cada vez mais distante." Ele não controlava seus pensamentos, não cessava suas lágrimas, não se movia, mal respirava. Acompanhado pelo som do mar. De joelhos, acompanhado apenas pelo mar.
     De repente vislumbrou alguém vindo ao seu encontro, na mesma trilha que ela fora, agora voltava. Ela estava voltando, lentamente, balançando o corpo e a cabeça com seu jeito de andar. Uma segunda chance, ele não seria mais tão estúpido e perguntaria logo que ela chegasse: "O que é aquilo?" - E apontaria para o imenso e belo infinito do horizonte - "É o que nos espera!" Ela parou em sua frente, ele olhou para cima, ainda de joelhos, pelos olhos inchados não podia enxergar com clareza. Ele esperou que ela se lamentasse, pedisse que ele fosse embora, que não a surpreendesse mais daquela forma, que a deixasse em paz de uma vez por todas, agora que ela conseguira, finalmente, seguir em frente sem rancor. Contudo, ela não o fez, pelo contrário, se ajoelhou em sua frente, olhando diretamente em seus olhos. Ela tocou seu rosto, era a primeira vez que EddieAnna, e sim a Sol.
     - O que está fazendo? - ela perguntou com um sorriso, tentando esconder o espanto.
     "Não é a Anna", foi o primeiro pensamento, "é a Sol". Então olhou por um minuto seu sorriso, era realmente lindo e seus olhos castanhos, levemente mais claros do que os de Anna, eram grandes e brilhantes. Ela era sua e isso o deixava contente.Sol tinha tanta personalidade quanto Anna, porém era muito mais doce e um pouco mais madura. E, principalmente, podia estar com ele. Era permitido.
     - Estava pensando em você - disse beijando-a uma vez - e em como eu agradeceria a Deus, se acreditasse - e beijou-a novamente - por você ter voltado depois de tudo que eu fiz - beijou-a pela terceira vez.
     - Eu sei que Anna está aqui - Sol disse afastando-se um pouco e de repente. 
     Eddie fingiu não ter ouvido ou não ter dado a mínima importância e disse de súbito - eu te amo! - Sol acreditou na sinceridade de tais palavras, entretanto ela sabia exatamente em que ou, especificamente, em quem ele estava pensando antes. De qualquer forma, não evitou outro sorriso. Os dois levantaram-se e de mão dadas foram encontrar o mar. Juntos, como deveria ser.

     Havia alguns metros dali, Anna observava a cena com os olhos repletos de lágrimas, um misto de ternura e tristeza em sua face e um sorriso sincero. "Tudo ficará bem para todos. Tudo ficará perfeitamente bem." Ela falava consigo mesma. E era exatamente dessa maneira que as coisas tinham de ser. E o céu estaria sempre ali por ela, e o mar estava verde.

2 comentários:

  1. belas palavrass...

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