14 de ago de 2011

Jupiter crash

  As ondas sabem como carregar para longe e para o fundo um homem doente por um coração. E é assim mesmo. É exatamente desta forma, ele se foi, levando o que tinha de melhor para mim, deixando o melhor de mim. E no fundo do oceano eu posso ouvir o que ele tentou explicar-me com seus olhos verdes de mar. Atração fatal de algo impossível. E todas as distâncias que um dia nos separaram e que desapareceriam, como nossas almas, aumentaram milhões de milhas. E há milhões de milhas, se olharmos para o céu, para sentirmos as estrelas, e elas sempre estiveram lá. "E o que é assim? O que é exatamente desta forma?" - eu perguntava quando você o seguiu ao fundo do oceano sem contestar, com aquele sorriso dizendo "finalmente chegou a minha hora." E eu senti a sua falta, como você sempre sentirá de algo que não conhecemos. E eu sinto a sua falta. E vejo tudo parado ao meu redor, flutuando nas teorias sobre o fim do mundo. E por um momento eu posso acreditar, é o fim do mundo. "Calma, anjo, é só o fim do mundo, não é o fim do amor" - você me diria tão quente em sua frieza como se soubesse realmente que estava mentindo. E todas as noites e dias que se passaram até aqui, eu chorei por você, como eu disse, como você sabia que eu faria. Porém nunca lhe disse nada, jamais o farei. Então eu vejo você partindo, onda após onda após onda, cada vez mais longe, até que se perca no horizonte, até que eu não possa mais enxergar. Afundando em todo amor que senti e agora as águas salgadas engolem você. E na rocha brilhante, iluminada pela lua, com uma lágrima estúpida preenchendo o oceano, eu posso sentir você, sentir como você nunca me sentiu. Tão quebrado sobre mim. Tão mal feito em sua beleza. Sim, sempre foi tudo para mim. "Então é isso? É isso o que você procurava? A estrela mais distante, as águas mais irritadas? Nunca encontraria em mim!" - eu gritei ao vento, então escorregue ao fundo e não volte nunca mais. Eu fui atrás dele, como uma tola esperançosa. E foi isso, ele me deixou chorando, enquanto eu implorei a Júpiter que o trouxesse de volta. E cai no mar para ouvir o som sedativo na morte. A lua assistiu, temendo que o pior acontecesse - que eu voltasse a respirar. "Não, nunca foi isso! O que eu procurava era você! Na estrela mais distante, nas águas mais irritadas. E eu me encontrei em você" - eu ouvi ele dizer no fundo verde do oceano e por um momento acreditei que estivesse dentro de seus olhos, onde sempre quis estar. "Por favor, pare por um momento. Eu amei você... todavia, era atração fatal de algo impossível. Há milhões de milhas que nos separam, apenas respeite a linha" - foram as últimas palavras que ouvi dele antes de me ver de volta em terra firme, há milhões de milhas de distância das águas verdes. E eu voltei a respirar.

2 comentários:

  1. Bacana o textooo =D

    Dá uma passadinha lá tbm, teenho certeza de qe vaai adoraar!!!!

    http://echidellanima.blogspot.com/

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  2. esse monte de metafora me deixou com tedio, nao alcancei o sentimento q vc tentou descrever

    http://mova-me.blogspot.com/

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