30 de jul de 2011

Poesia da noite

  Enquanto observo a lua, que solitária desfaz a escuridão do céu, pessoas cegas adormecem na casa defronte. Não cegas dos olhos, e sim cegas da alma. O aroma da noite acaricia-me o peito ao inspirá-lo profunda e vivamente. Tão vivamente que quase posso sentir minha vida alheia a mim, esvaindo-se por minhas mãos e libertando-se - inacreditavelmente bela. Como poderia defini-la, se não existe melhor definição do que seu próprio nome? Vida!
  Os pobres cegos adormecidos ressonam tentando, cada qual, esquecer-se de seus sofrimentos. Ah, se soubessem que sofrer é sinônimo de estar vivo, dariam um valor imensamente maior a cada dor que os aflige.
  Há outros pobres que não são cegos, e sim surdos, estes já não dormem - permanecem despertos tentando em vão decifrar os mistérios do mundo. Então, tapam os ouvidos para não terem de escutar o que a noite vem dizer-lhes: mistérios não são indecifráveis, todavia, decifrar o grande mistério é de inútil serventia. Não o pense, contemple-o - mistério é poesia e a vida é a poesia infinita.

2 comentários:

  1. Um pouco pessimista, mas bom.

    123acao.wordpress.com

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  2. Dormir pra cegar a alma. Nós sabemos que isso é em vão. Entendo o que você quer dizer, é como se tentar cegar a alma fosse esquecer de viver.
    Viver não é estar vivo, simplesmente. Não são só alegrias e flores. Mostrar força e encarar as coisas não tão boas é bom, mas ressonar pra deixar a alma cega as vezes é bom tambem, as vezes faz bem.

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