24 de jun de 2011

Incicatrizável

  - Ela é linda, você precisa conhecê-la. Ela é fascinante - Tom estava muito animado, contando sobre a garota que conhecera em uma festa em que tocara para seu primo. - Foi muita sorte mesmo, porque ela nem gosta de festas assim nem sei como ela gostou de mim que sou DJ. Mas ela é incrível, você vai ver, Eddie.
  Ela chegou com uns quinze minutos de atraso.
  - Ei, Tom, tudo bem? -  cumprimentou ela sorridente.
  E Eddie teve um sobressalto ao ver quem era a garota tão encantadora da qual Tom não parou de falar por nem sequer um minuto durante a tarde. O susto não se deu pelo fato dela chegar com seu jeans justo, seu all star preto, sua blusinha simples, também preta, com as escritas AC/DC em vermelho e seus óculos ray-ban aviator com aro dourado. Não era o fato dela ser absurdamente deslumbrante que o perturbava. Era por que ele já a conhecia. Ele tivera uma pequena e intensa história com ela. História que não acabara bem.
  - Oi, Anna, estou ótimo, ah, esse é o Eddie, meu primo - Tom nem podia imaginar o que se passou pela mente de ambos ao se olharem naquele momento. Ninguém poderia dizer qual dos dois era o mais congestionado.
  - E aí Eddie, quanto tempo, não? - disse ela tentando, sem muito sucesso, transparecer calma.
 Eddie não conseguia emitir nenhum som. Apenas pensava: não pode ser.
  - Então já se conheciam? ótimo, nos livramos do trabalho das apresentações sem graça - dizia Tom sem desconfiar de nada. - Sol chega daqui a pouco, não é Eddie? Ah, droga, esqueci minha carteira, vou lá no carro pegar, já volto.

  - Que situação! - exclamou Eddie angustiado.
  - Eddie, eu não sabia que ele era seu primo, se soubesse teria evitado - ela aparentava mais calma do que ele. - De todo modo, Sol, sua namorada está chegando, vamos procurar ficar menos tensos, você principalmente. Relaxa. O que passou, passou, já era. Não vai ser tão difícil assim.
  - Anna, por favor, ele é meu primo. Você sabe de tudo que passamos. Como quer que eu fique tranquilo? Não há como ficar tranquilo! - ele beirava o desespero. - Minha nossa, eu não estou acreditando. Você e meu primo?
  - Pare, não posso aguentar isso. O que você está pensando? Eu te esperei, Eddie, te esperei mais do que deveria. Mas vocês fez tudo errado e nem me surpreendo de continuar fazendo. Eu não esperava que isso fosse acontecer, te reencontrar assim, mas aconteceu e você vai ver, daqui a pouco a gente se acostuma com a situação e as coisas acalmam-se. Foi só o susto do momento - Anna parecia, porém, não estava sendo completamente sincera. - Afinal, acabou tudo, pelo menos pra mim - ela parou para refletir antes de prosseguir. - De qualquer forma, se a situação é complicada demais para você, eu posso dar o fora, ainda dá tempo, eu e Tom não estamos apaixonados e posso evitar isso. Afinal insistir em uma relação que tem tudo para não dar certo, isso eu não faço nunca mais - e lançou a ele um olhar repleto de insinuações e mágoas.

  Ao ouvir essas palavras árduas e secas, ele baixou a cabeça e refletiu. Lembrou-se do entusiasmo de Tom com Anna. Lembrou-se de que amava Sol. E pensou que realmente, Anna estava certa, tudo ficaria bem. Seria difícil, mas tudo ficaria bem.
  - Não, não. Você tem razão, está tudo bem. Eu estou sendo um imbecil - e forçou um sorriso, desculpando-se.
  Tom voltou e junto dele estava Sol.
  - Vamos?

  O início do jantar estava tenso, porém pouco tempo depois, sob os efeitos do vinho, todos estavam tranquilos. Os quatro divertiam-se como nunca. Riam e atraíam a atenção das mesas vizinhas. Contudo, chegou um momento em que as conversas tornaram-se sérias e intensas e nessas conversas, cheias de opiniões sobre política, religião, esportes, músicas, livros e também de teorias filosóficas e científicas, Anna e Eddie entendiam-se mais do que os outros dois. Eles se entusiasmavam com suas paixões idênticas e aprofundavam-se em assuntos distintos, deixando Tom e Sol para trás. Ao perceberem o clima que estavam causando, excluindo os outros dois de suas conversas, eles se resguardaram. E quando o jantar parecia estar restaurando-se, cada casal em seu devido lugar, o músico, que tocava ao vivo, iniciara uma canção de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, da qual, fez Eddie e Anna permanecerem em um completo e profundo silêncio. Refletindo. Pensando. E trocando olhares até então evitados. A música era bonita, mas a questão não era essa. A música lembrava certos momentos deles... E, assim, começaram de novo com o entusiasmo e foram mais longe, não dando fim aos olhares indiscretos. Tom e Sol estavam a cada minuto mais entediados e assim foi pelo resto da noite. Até que Sol quis ir embora e Tom concordou que estava tarde. E então se despediram e seguiram seus caminhos.

  No dia seguinte, Eddie encontrou tom cabisbaixo e melancólico, perguntou o que havia acontecido. Tom respondeu que Anna foi embora, que não poderia continuar por motivos que não podia contar. Ela queria distância completa de todos eles. Eddie entendeu. Todos entenderam.

3 comentários:

  1. chega me arrepiei quando lii... O___O
    foi você que escreveu??
    parabéns pelo blog (;

    depois se quiser conhecer e dar uma comentadinha básica (;
    -----
    UM BLOG SOBRE TUDO, TUDO MESMO!

    indoo

    http://ofantasticomundode-leticia.blogspot.com/

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  2. Texto mto bacana! Realmente emocionante!
    Vim retribuir seu comentario no nosso blog!
    Obrigada
    Renata
    http://uaimeu10.blogspot.com/

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  3. Oi Pamela!
    Legal você ter curtido o blog, espero poder contar com sua presença e comentários mais vezes ^^.
    Sabe, fico feliz e aliviada em encontrar pessoas que tenham o mesmo pensamento e as mesmas dúvidas que eu. Pelo menos sei que não sou a única ou que não estou errada.
    Eu sempre priorizo o meu presente penso apenas nele mas claro que a influência externa seja no convivio com pessoas próximas ou mesmo no trabalho parecem te pressionar. No trabalho parece que pressionam para que você nao tenha qualquer vida que não seja dedicar-se ao trabalho. Sempre pensei (e talvez pense assim por não ser uma gênia profissionalmente0 que é mais importante você ter experiência de vida do que experiência de aprendizados teóricos. Vejo muitas pessoas que largam suas vidas sociais apenas para focarem no trabalho, dinheiro e futuro e o resultado são sempre pessoas vazias e infelizes.
    bjs

    http://www.empadinhafrita.blogspot.com

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