5 de jun de 2011

Acampamento em família

  O relógio desperta antes das 8h em pleno sábado; causando espanto, todos da casa levantam sem reclamar e cada um vai para um lado arrumar suas coisas: o pai apronta o carvão para o churrasco e confere a cerveja; a mãe olha todos os detalhes que ninguém julga importante, mas no fim, como mães sempre sabem, acabam fazendo toda a diferença - o filtro solar na bolsa, talheres e copos para todos, casacos para o caso de esfriar, etc. O irmão mais velho vai ajudando o pai a checar o carro. A irmã adolescente, com suas crises, só sai se levar sua melhor amiga junto e não desgruda do telefone. O irmão mais novo sai atrás de todos pela casa brincando de homem-voador com o seu boneco na mão. Enquanto todo caos acontece, eu procuro calmamente um livro em minha estante e coloco na minha bolsa, ansiosa pelo contato com a natureza. Ninguém vê a hora de chegar no acampamento.

  Depois de 50 minutos de estrada chegamos em nosso destino. Finalmente paz e sossego... claro, até você sair do carro, uma bola bater em sua cabeça, sete crianças cruzarem por você enlouquecidamente, passar em seguida uma mãe desesperada: "Jeremias, Juca, Jonathan, José, Janaína, João e Jurema, voltem aqui para passar repelente", e para finalizar bonito, o som dos acampamentos vizinhos explodem de uma vez em uma poluição sonora sem tamanho. Então, suspiramos - Ah, o verão.

  Sem demora, todos ocupam seus postos: o pai salga a carne, conversando sobre o roubo do juiz no grenal de ontem com meu irmão mais velho; a mãe passa filtro solar em cada um de seus amados e bem cuidados filhos; a irmã e sua amiga acham sua turma e desaparecem para fazer qualquer coisa mais divertida do que ficar com a família; o irmãozinho endiabrado chora porque esqueceu sua boia e o rio não está raso, e eu sento na melhor sombra com meu mp3, admiro a bela paisagem e sinto o delicioso aroma natural - protetor fator 30, carne assando e lixo estupidamente jogado no chão, na verdade. A turma do lado troca o som agudo, por um pagode ao vivo. Pelo menos, ainda posso contemplar o céu e os pequenos animais que chegam perto por causa da comida.

  O fim da tarde vem chegando arrastado, e todos estão muito cansados e satisfeitos com o belo dia. Meu irmão menor dorme na barraca, meu pai e meu irmão maior jogam qualquer jogo de cartas, minha mãe com seu complexo de limpeza junta tudo sem parar - louças, peças de roupa, brinquedos, etc, e minha irmã está longe com seus amigos legais.
   Os acampamentos vizinhos começam a se desfazer e o som estridente cessa de vez - paz, finalmente. Descalça, sentindo a grama fresca e macia entre meus dedos, dirijo-me lentamente à beira do rio e sinto de leve o líquido morno, enquanto sento em uma pedra para ouvir o barulho das águas correndo; posso sentir o cheiro das árvores, agora. E o céu alaranjado deixa tudo ainda mais bonito, enquanto a brisa beija-me o corpo com tanta delicadeza que sinto espasmos de prazer. Sinto-me tão próxima da natureza, assim, tão próxima de mim. Posso ir embora, agora, satisfeita como os outros.

2 comentários:

  1. Muito bom!!! Gostei da história..!! E veridica???
    Nunca fui num acampamento sabia??rsrsrs
    vlwlwllww

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  2. Um programa familiar nunca me pareceu tão ... especial. É incrível como com os pequenos detalhes, você transforma uma coisa simples numa coisa fantástica!

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