22 de mai de 2011

Oito anos

  Eu lembro de meus oito anos, dos joelhos esfolados, das brigas pueris, das guerras de comida, dos amores inocentes, dos doces e mimos de minha avó, de sentar sob as jabuticabeiras e passar a tarde mais colhendo do que comendo jabuticabas. Lembro de fazer amizade com todos e falar com os cachorros da mesma maneira que falo hoje, porém com a diferença de que antes eles me respondiam. Tenho belíssimas visões de campos muito verdes nos quais eu corria, corria, corria selvagem, com calças largas demais para uma menina. Meus pais - pobres castigados, eu era para eles um pequeno demônio, no masculino mesmo. Apesar disso, sempre me amaram sobre qualquer coisa.
  Já dizia o Casimiro de Abreu em sua poesia: Meus oitos anos - "Oh! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!". Nos meus oito anos, a alegria constante acompanhava-me em todas as ruas, em cada calçada em que eu caminhava pulando, contente. Eu era tão contente. E sinto falta dessa felicidade espontânea e verdadeira, por isso, às vezes, me pego olhando fotos antigas - eu tinha olhos tão inocentes e brilhantes, apenas o mistério negro não mudou; não existia em mim nenhum medo da escuridão; mergulhava fundo sem receio de me afogar. Eu fui uma criança tão perdida, o que não se nota nas fotos e nem nas histórias de domingos à tarde na roda de chimarrão; eu fui completamente perdida em meus medos secretos, a chuva e os monstros do armário não me eram boa companhia, contudo isto foi algo que ninguém nunca soube. Lembro, também, de olhar as estrelas e pedir por coisas tão bobas, que valiam a minha vida de oito anos. Acreditava em estrelas-cadentes atendendo minhas súplicas singelas, em anjos, em tudo.
  Se eu pudesse apenas voltar no tempo, ou continuar vendo tudo como antes eu via, eu poderia satisfazer vontades adultas que sinto hoje; poderia não quebrar meu coração como foi feito e não chorar ao olhar estas fotos de alguém tão distante de mim, de dentro de mim. Eu apenas queria sentir como antes, sentir verdadeiramente meu coração, como se sente um sorriso, uma lágrima; um sentir sincero e puro, que só pode sentir a criança, sem a capacidade intelectual do homem maduro de poder rotular e julgar. Só queria sentir novamente como se sente de verdade.

4 comentários:

  1. A infância é uma época tão mágica, não? Fazíamos as coisas sem pensar nas consequências, éramos espontâneos, não tínhamos preocupações ... nem frustrações amorosas.

    Repito os versos
    'Oh! que saudades que tenho
    Da aurora da minha vida,
    Da minha infância querida
    Que os anos não trazem mais!'

    Estrofe melhor para o momento não há!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Acho que todos nó sentimos falta da infância. Tempo onde tudo era tão simples e inocente... Eu tinha os mesmos medos que você, mas não me escondia; achava que algum dia eu conseguiria capturar o monstro do armário... rsrs
    Sinto saudades também! Pena que não volta.

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  4. Complicado ne..Quando falavam aproveita..e tudo mais ngm acreditava...agora vemos que era verdade!
    !Mais ainda da tempo para quase isso tudo..e so Fazer...vlwwww

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