16 de mai de 2011

Louco amor

  Depois de ir à casa da mãe de Rita e não encontrá-la, Ivan decidiu que seria melhor voltar ao seu apartamento. Essas brigas estavam tornando-se rotineiras, e ele já perdera a esperança de salvar seu casamento.
  Ivan assustou-se - ele não lembrava de ter deixado a porta de sua casa aberta. Contudo, susto maior ele teve ao entrar em seu quarto - a mulher que estava deitava em sua cama, com uma expressão leve e feliz, não se parecia em nada com aquela mulher que a menos de uma hora atrás saíra do mesmo quarto, chamando-o de homem-de-merda-filho-da-puta-broxa-do-caralho e o diabo a quatro. Porém, era a mesma.
  - Estava lhe esperando, querido! - disse ela terna, fazendo sinal para ele se deitar com ela.

  O susto que Ivan teve ao entrar no quarto não se comparava com o medo que estava sentindo no momento. "Ela surtou de vez, só pode! Meu Deus, meu Deus! Minha mulher enlouqueceu!" - Por mais que Ivan estivesse acostumado aos "ataques psicóticos" (modo como ele apelidara as inconstâncias de Rita), ultimamente ela andava passando dos limites e criando verdadeiros receios em sua volta. O dia em que Ivan percebeu percebeu a gravidade da situação, foi em uma noite na verdade, da qual ele se acordara e notara sua mulher em pé, ao lado da cama, a contemplá-lo com uma expressão esquizofrênica e bastante assustadora e, como se fosse algo absolutamente normal de se fazer - olhar assim, com os olhos esbugalhados e um sorriso assassino, seu marido dormir -, ela simplesmente se deitou, virou-se e dormiu como um anjo.

  Agora quem se via em pé, imóvel, contemplando sua mulher com os olhos esbugalhados era ele. "Aonde foi aquele ódio todo?".

  - Onde você esteve? - Ivan supreendeu-se com a própria voz, esta saíra esganiçada de pavor. - Fui à casa de sua mãe atrás de você, não imaginei que pudesse voltar tão rápido - em resposta, ela apenas abriu um sorriso insinuante que o deixou ainda mais nervoso.
  - Tudo bem, tudo bem! - Ele disse mais a si próprio do que a ela.
  - Amor, vou comprar algo para comermos - disse ela levantando-se. - E aproveito e trago seu cigarro favorito - ouvir estas palavras o fez sorrir, estava tudo bem agora.
  De qualquer forma, ele não conseguiu emitir som nenhum - estava tudo bem, mas ele ainda estava pasmado.

   -

  Ao voltar para casa, Rita teve  a visão da qual julgava ser a do inferno: Ivan fumando na sacada - "não acredito que aquele porco imundo está fumando de novo." - e foi ao seu encontro encher-lhe de desaforos, enquanto deixava cair no chão o maço de cigarro que comprara a ele.

Um comentário:

  1. http://tabernadoviking2.blogspot.com/2011/05/parabens-aaaaaaaaah-o.html

    vá buscar o selo comemorativo o/ afinal vc nos ajudou a conquistalo ^^

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