3 de abr de 2011

Ao fim de tudo

  Palavras duras, secas e árduas que permaneciam por dias agarradas à garganta foram ditas nesse dia. Não consigo lembrar-me de nada mais, a não ser as palavras proferidas com cólera, ele virar as costas, ir embora e deixar-me a falar sozinha. Depois daquele dia, nunca mais. Enchemos, enchemos, enchemos... Ele encheu-se de mim e eu enchi-me dele.
   Eu caminho com passadas largas e rápidas, contudo sem deixar de prestar atenção na folhas secas das quais vou demolindo e no som agradável que isso causa. Imagino se eu pudesse esmagar, assim, prédios e automóveis e no estrondo que teria; imagino qualquer coisa que tire meu pensamento da imagem de você indo embora e deixando-me apenas com aquelas palavras áridas. No entanto, eu deixei-lhe com palavras idênticas, bom motivo para me arrepender; seria o suficiente para voltar e pedir desculpas. No entanto isso, só, em outros tempos.
  Já não enxergo as folhas, nem ouço estampidos imaginários. As lágrimas cobriram meus olhos e todo meu rosto. E sua imagem abarrotou minha mente. O ar parece sufocar, engasgar e, mesmo, queimar a garganta, esta que deveria ter segurado melhor aquelas palavras. Não, não há como voltar atrás; instantes que não regressam são tão cruéis. Logo eu, que nunca me arrependo de absolutamente nada, estou aqui, chorando por algo que não deveria ter feito.
  Entretanto, não posso me permitir, não posso perder a razão, sigo, então, enxugando todas as lágrimas, levantando minha cabeça e me fazendo fria e arrogante. Logo será noite e logo será amanhã e logo mês que vem, quando eu ver passou um ano e, então, tudo se foi. E verei que todos os valores serão trocados e nada disso terá qualquer importância, apenas um passado que ficou marcado por alguém que, em um belo dia, foi embora.

Um comentário:

  1. Ótimos Textos, Com Concordância e motivos mt bons.
    seguindo
    http://sentimentares.blogspot.com/

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