13 de mar de 2011

Conselhos

  Eu poderia aconselhar-lhe que não ligasse, sequer atendesse o telefone. Que ignorasse e olhasse apenas para si mesmo. Diria-lhe que fizeram muito mal a você e que só estará correndo o risco de sofrer ainda mais. Pediria-lhe que não chore na frente deles, pois não merecem suas lágrimas. Advertiria-lhe para nunca mais olhá-los nos olhos e evitasse qualquer sorriso sincero ou de zombaria. Falaria por horas e horas sobre todas as coisas ruins que eles são e lembraria todas as coisas maldosas que lhe fizeram. Faria-o recordar de absolutamente todos os vexames e opressões que lhe aplicaram. Eu impediria-lhe de esquecer todo sofrimento causado por eles e que não, jamais, deixasse de lado seu orgulho .

  Eu poderia fazer o contrário e dizer-lhe que fosse atrás; que procurasse entender o que está acontecendo; que pedisse as merecidas explicações. E que por qualquer motivo perdoasse, aceitasse que todos pecam. Diria-lhe sobre as coisas benevolentes e ressaltaria que perdoar é tão humano quanto errar. Pediria por sua complacência e que mostrasse o quanto é amável. Meus conselhos seriam sobre esquecer tudo que lhe incomoda e causa-lhe dor. Que a intenção de todos é estar bem, basta um pequeno esforço. Lembraria o quanto são especiais e que esses pormenores às vezes não merecem tanta atenção. O crucial é ser feliz e compreender a todos. E que mais importante que o orgulho é ser feliz sem pesar.

  No entanto, não farei nada disso, quem sou eu para julgar o que deve fazer? Quem sou eu para dizer o quanto seu orgulho deveria valer? Eu sou eu, essa é a questão. Jamais poderia entender o que sente. Jamais entenderei o que se passa aí dentro. Então, meu único conselho válido seria: faça o que sente profundamente que é melhor para você!

2 comentários:

  1. "Lembraria o quanto são especiais e que esses pormenores às vezes não merecem tanta atenção".

    Muito bom. Não tenho muito o que comentar.

    Talvez faltou falar mais, mas acho que é o estilo e tipo da postagem..


    Samuel

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  2. Às vezes não entendemos nem nós mesmos, imagina tentar entender outra pessoa. Somos extremamente complicados, mas acredito que isso faça parte da vida.

    Mais um excelente texto, como todos os outros que leio aqui em seu blog.

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