6 de fev de 2011

Catástrofe

  Aceitei, simplesmente, essa condição da qual me torna seca, árida. Comecei, mesmo, a gostar de ser assim, completamente solitária. Carreguei uma sensação de liberdade tão ampla que pesou quando imaginei algum dano a ela. Essa solidão me fez ficar muito próxima de algum eu lírico que sabia que deveria ter em algum lugar aqui por dentro. Transformei-me em uma pessoa inconsequentemente segura também; acostumei-me a não olhar para os lados ao atravessar a rua. Confiei em mim, gostei de andar só. Carreguei meu universo nos ombros porque ele sempre foi todo e só meu. No meu mundo pleno eu vi meus livros, minhas músicas e nada mais objetivo. O sol pertencia-me e, então, eu era feliz. Ao idear minha vida, percebi um futuro repleto de mim mesma e nada mais. E senti-me bem, muito bem; nada poderia acabar com isso. Eu tinha o sol e o que mais quisesse. Eu não precisava de ninguém. Eu tinha a mim e era completamente minha. E era feliz. Eis que surge: você. E tudo isso se converteu de uma maneira descontrolada. Como se não me conhecesse tão bem como antes; perdi meu domínio sobre mim. Então, eu fugi, mas não adiantou. Não, eu não quero isso. Só quero que vá embora. Vá embora, eu suplico. Eu sou irônica, eu faço drama e eu peço que me deixe em paz; e peço toda noite quando olho as estrelas. E repito para mim que não quero invadam minha privacidade emocional e importunem minha liberdade; não quero dividir meu universo. É uma catástrofe, até avistar seus olhos - é o mal dos meus dias, basta vê-los e pronto: você vale a pena, mais que a mim.

2 comentários:

  1. Eis aqui uma doce contradição!
    Bjoo!!

    ResponderExcluir
  2. Vim lhe visitar talvez você goste destes Blogs apenas os veja com o mesmo carinho que vejo o seu

    http://verdorinvisivel.blogspot.com/

    http://www.tinhahquedizer.blogspot.com/

    ResponderExcluir