14 de jan de 2011

Na minha solidão

   Das mais de 6 bilhões de pessoas que existem no mundo, eu só preciso realmente de uma: Eu.

   A contradição de minha existência: tenho em mim a condição de ser sozinha. E assim sigo minha vida. Tenho pai e mãe,  os mais leais amigos, o mais cativante cachorro, as mais sedutoras paixões... tenho sempre um amor objetivado - na maioria das vezes correspondido. Mas sou o que chamam de solitária.
    Não, não confunda como um dia eu confundi, não é questão de ser antissocial; não é como se eu não me importasse, ou não gostasse de pessoas. Eu amo as pessoas! Posso ser tão justa quanto o sol e tão compreensiva quanto garoas de verão. Não desejo o mal; desejo o melhor, desejo tudo para mim e para todos. Vejo-me cada dia mais faminta por gente; conhecê-los, entendê-los, respeitá-los e admirá-los... há tanto para se admirar. Não sobreviveria sozinha, ou sobreviveria, porém seria absolutamente infeliz. Sim, as pessoas me trazem a felicidade. E, sim, eu sou sozinha.

   Quando me refiro a minha solidão, quero deixar claro e mastigado que faço questão de pessoas por perto. Contudo, sei que essas mesmas pessoas, em um dia qualquer de inverno, seguirão sua vidas sem  mim e eu seguirei a minha sem elas; não que não tenha significado nada, simplesmente as pessoas, como todo o resto, passam e vão em frente sem olhar para trás. É o que uns chamam de coisas da vida. É o que um dia acreditei ser a tragédia de minha biografia e que depois de perdas, lágrimas, leituras e novos sorrisos amarelos e tortos que sempre aparecem em fins de tarde, percebi que é a única coisa que faz sentido, realmente. Nem Marte, Júpiter, ou Mercúrio entenderiam. Entretanto, eu entendi que a imagem que vejo refletida em meu espelho é da única pessoa que vai me acompanhar durante toda minha marcha pela estrada da vida; poderá somente essa pessoa, tão absurdamente conhecida, entender cada lágrima e cada angústia e cada saudade...; ninguém mais lerá tão bem meus pensamentos e me conhecerá tão bem a mente. Não vejo quem possa me fazer melhor companhia. Antes eu comigo do que eu desamparada.

   E quando me ver falando com meus pés, com minhas mãos ou com meu cabelo não acredite na minha loucura (mesmo eu tendo certeza dela), pois eu falo, sim - e sempre que posso torno a falar - comigo mesma; nunca ouvi melhores conselhos ou consolações mais sinceras. Jamais me julgue por ter um amigo invisível. Jamais julgue meu amigo invisível, pois ele nada mais é que uma versão minha inventada por mim e se tiver a oportunidade de conhecê-lo (o que eu duvido) verá o quão diferente de mim ele aparenta ser, contudo não se engane, ele é eu - exatamente eu - porém com algo a mais; algo que eu sonho em ter pelo lado de fora, mas só encontro no interior. Ele é eu sem pôr nem tirar, só que não se parece comigo.

   Enfim, sou sozinha. Sou eu, meus pés, mãos, cabelos e meu amigo imaginário.
   Eu e meu reflexo ao mirar o espelho. Eu e minhas lágrimas ao chorar de rir. Eu e meu entendimento sobre todas as minhas hipocrisias. Eu e minha fuga de todo sentido. Eu e minha contraditória busca por motivos sem querê-los de fato. Eu e meus eus de cada dia. Eu e minha solidão.

4 comentários:

  1. Hoje ás 16 horas estarei publicando um post com todos blogs interessantes q visitei esta semana o seu está na lista, confira no meu blog:

    http://descansandoamente.blogspot.com/

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  2. Acho que eu também sou assim, espero que isso mude quando eu me casar e ter filhos. Espero ser mais de um. Ser dois, três, quatro, cinco...

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  3. Pamela, eu recomendei o seu blog no meu, se quiser retribuir eu agradeço, se não quiser, eu entendo. Abraço

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  4. Me sinto exatamente como você . Amo as pessoas , amo estar entre elas , mais tudo n passa d fantasias ou apenas sonhos q vem e vao . Bjos . . .

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