26 de dez de 2010

Noite feliz

  Então é Natal e como em toda noite de Natal que se preze, especiais natalinos igualmente chatos passam em todos os canais de televisão. Neste momento famílias dos quatro cantos do mundo comemoram, com algumas exceções religiosas (por mais que a maioria nem o faça pela crença em si). O que importa? Importa essa oportunidade de reunir a família, de espalhar felicidade fraternalmente e querer bem ao próximo; e isso, pode-se fazer qualquer um, pois são gestos que independem da crença. Contudo, qual é o sentido de eu estar refletindo sobre família reunida, fraternidade e tudo mais, quando eu mesma estou completamente só, olhando as mentiras desvairadas da TV, devorando um pote de sorvete no lugar da ceia? Estou só na noite de Natal, e perguntaram-me os mais chegados por telefone há uma hora atrás: "Passará o Natal sozinha por escolha própria ou por falta de ter com quem passar?" - "Sim e não", respondi - as pessoas das quais eu desejo de todo o fundo de meu coração estar perto hoje, estão a quilômetros de distância; entretanto, existem solitários, como eu, reunindo-se para passarem o natal juntos em uma casa de festas qualquer, para se sentirem, talvez, um pouco menos isolados. Mal sabem, os coitados, que um solitário no meio de milhões de outros solitários, não é menos isolado que alguém, que como eu, prefere ficar verdadeiramente só, aceitando sua real condição de se excluir do mundo exterior por algum tempo e que pelo contrário - a solidão tende a aumentar em meio à multidão.
  Eu, como perfeita bajuladora da solidão e de toda interiorização que sou, não me angustio nem sinto a melancolia que poderia dispor. Até posso respirar um ar de liberdade e de felicidade pura, ao saber que posso ser feliz sozinha, inclusive em datas como esta - e nem digo isso pelo fato de que a minha religião (que é a de não ter religião) não comemore o Natal, pois datas assim me deixam com vontade de comemorar com os outros, para me sentir, por um segundo, igual a todos - só por que não acredito no sentido literal do Natal, não quer dizer que não possa acreditar no que é lembrado: paz e amor a todos. Natal é uma data linda. E nada me impede de suspirar sobre os meus sonhos utópicos do mundo a sós comigo e eu. 
  E a todos meus colegas de solidão que estão divertindo-se na casa noturna da esquina e acreditam estar em melhores condições do que eu, saibam que eu também estou sorrindo muito, enquanto vejo a imensidão desta cidade, sem ser realmente grande. E enquanto sonho profundamente com a perfeição de uma vida.   
  Não estou aqui para julgar uma alma sequer, e por este motivo não quero que me julguem digna de dó e nem me tenham compaixão enquanto me observam pela janela, que não preciso disto. Estou perfeitamente bem, com minhas reflexões e liberdade. Estou tão bem ou mesmo melhor que vocês, pois já me acostumei com esta situação e me é completamente agradável.
  Acreditem, acreditem... que estas lágrimas que rolam sutilmente pela minha face de maneira nenhuma são de tristeza, ao contrário, é felicidade... é felicidade - o natal é lindo. E estes soluços? E todos estes lenços espalhados? É felicidade. O Natal é lindo. Tristeza? De forma alguma...

2 comentários:

  1. Feliz Natal.

    Gostei muito do seu blog!
    Nunca deixe de escrever... ler as palavras alheias e sempre uma tarefa agradavel pra mim.
    Obragado por compartilha-las!
    Um Cordial Abraco!

    Joao

    http://historiasepomemasdojoao.blogspot.com/

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  2. Gostei muito do seu blog!

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