14 de dez de 2010

Infinito futuro

   A lua cheia ornamentava o céu naquela noite, da qual ela ouviu assobios vindos do lado de fora, próximos à sua janela - era ele, com sua jaqueta de couro preta, escorado em seu carro. Ao se verem abriram instantaneamente os sorrisos, como se fosse um gesto ensaiado. Ela não hesitou em pular a janela e correr para abraçá-lo e ele beijava sua testa suavemente. Ele a convidou para dar uma volta e ela foi, mesmo nervosa, pois seus pais não poderiam descobrir que ela saíra de casa com ele, ela nem deveria vê-lo. Entraram no carro, se olharam profundamente e os olhos brilhavam, brilhavam como a lua cheia, brilharam ainda mais quando sentiram o toque das mãos.
   Ele a levou para assistir o espetáculo das ondas na praia, só eles sabiam o quanto gostavam disso, admirar aquela imensidão infinita do mar e sonharem com um futuro parecido, mesmo nunca tendo o feito juntos. Ele a apertou em seus braços, seus sentidos pareciam gritar e todo o resto do mundo parecia sumir. levando junto todo e qualquer empecilho que os impedisse de estarem ali, juntos. Nada mais importava. Caminharam beirando o mar, falaram e riram; encontravam-se em um estado de embriaguez e era tanta, que faltavam palavras sensatas no meio de tantas coisas ditas; não importavam estas coisas ditas, importavam os olhos brilhando e os momentos em que se tocavam propositalmente sem querer; falavam muito sobre nada e era tão bom. Contudo, algo que foi dito teve um sentido em meio a toda exaltação: ele disse que tudo daria certo e por isso ela acreditava que realmente daria. Talvez não devesse depositar aquela fé cega nas palavras dele, mas não havia como questionar aquele brilho dos olhos e aquela voz tão aprazível.
   O mar cooperava para aumentar a sede de ambos; sede que sentiam um pelo outro e a cada segundo que passavam perto sentiam a boca cada vez mais seca. A vontade que tinham de beber dessa água se tornava descomunal, porém resistiam, quase sem forças; resistiam ao desejo, pois não queriam perder a razão, não naquele momento. As coisas deveriam acontecer com calma, do jeito certo. Eles tinham certeza que a espera seria recompensada. Contudo, naquela noite, nada disto era relevante; somente as estrelas, os olhos, os sorrisos, a poesia e o amor; amor não consumado, ainda assim um amor imenso e infinito, comparável aos oceanos.
    No fim da noite, ela já voltara ao seu quarto, evidentemente sonharia; sonharia com os olhos brilhantes, a voz terna e os gestos doces; sonharia com o infinito e com o mar.

2 comentários:

  1. O final do texto me deixou deveras angustiado, não acredito em momentos certos para lidar com o amor, para suprir o desejo, tudo isso gera dispêndio de tempo e o nosso tempo é talvez o instrumento mais importante para viver tudo o que há de mais maravilhoso nessa vida.Ninguém quer repetir as frases da música "epitáfio", dos Titãs, não é verdade?Ademais, nossos textos atuais estão similares, gostei!

    ResponderExcluir