20 de nov de 2010

O reencontro

   - E no fim se casou com alguém milimetricamente contrária a mim. Loira, alta, olhos claros, meiga, paciente e que cozinha muito bem. - Ela disse em tom de zombaria.
   - Tinha que achar alguém que não me fizesse lembrar de você toda vez que a olhasse, alguém que não me fizesse chorar toda noite. - Ele respondeu fingindo inocência.

    Depois de muito tempo, estavam ambos com vidas distintas e distantes. Ele morava no sul do país, estava casado e tinha dois filhos. Ela morava no norte, ainda não se casara, mas tinha incontáveis casos. Agora ali, naquele evento que reunia os melhores jornalistas e publicitários do país, eles se reencontram - os olhos se reencontram. Incrível, o brilho era o mesmo, talvez com uma intensidade ainda maior. Eles se amavam, tiveram que perder a chance de ter um ao outro para, então, perceberem isso. Contudo eles se amavam, eles sabiam disso. Agora se encontravam do lado de fora do salão do hotel mais caro da cidade, onde ocorria a festa, olhando-se ardentemente, deixando visível todo desejo; provocando-se com sorrisos e gestos. Eles se desejavam.
  Ele pegou a mão dela e a arrastou para o carro; ela foi fingindo um protesto, como quem vai forçada. Por fim a levou ao hotel em que estava hospedado, abriu a porta com um pontapé enquanto a beijava. Ao entrar no quarto apenas continuava a beijá-la com uma sede feroz. Então a despiu e se perdeu no corpo dela, durante toda noite.
  No outro dia, pela manhã, percebeu seu celular vibrando, ao ver o número de sua esposa, desligou o aparelho, e continuou a admirar a beleza da adormecida mulher que estava em seu lado, na cama. A mulher - que sempre foi - de sua vida.

Um comentário:

  1. Fez bem em ter desligado o telefone e ter vivido um pouco mais a sua não-realidade.

    ótimo texto, um beijo!

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