26 de nov de 2010

Menino dos olhos

   É como uma criança, ela pensava, enquanto o observava, olhando para o céu completamente distraído e admirado, encantada. Mas como uma criança pode ter músculos definidos e a barba crescida? É quase como uma criança, ele a convencia disto quando baixava os olhos para ela, deixando formar um sorriso bobo em seu rosto. Os olhos tinham aquele brilho grave do qual ela sempre procurara, tinham a tonalidade verde mais linda que ela já vira. Ele era o ser mais lindo que existia.
  Era inquietante o modo como ele levava a vida, seu jeito apaixonado, jeito de ver tudo como um grande mistério, uma aventura. Ele era diferente de tudo que ela teria imaginado, não havia comparação, ele era melhor. Não havia sentido, não havia motivos, não havia causas; havia apenas o fascínio por parte de ambos.  
  Quando ele brincava com seu cachorro como se não estivesse atrasado para o trabalho e como se ninguém estivesse olhando. Quando ele não conseguia segurar as lágrimas que vinham por tristezas ou alegrias. Quando deitava no colo dela e contava seus sonhos harmoniosos, de um modo terno, seus olhos brilhavam; então, dizia que a amava de uma maneira excessivamente doce e a fazendo rir logo em seguida; demonstrava embaraço e surpresa quando ouvia dela que o amava; em seguida segurava sua mão como se fosse a coisa mais importante para ele naquele momento; depois a olhava, de uma maneira desconcertante. Nesses momentos ele era, apenas, um garoto. Uma criança que passara dos trinta anos, mas ainda assim uma criança.

Um comentário:

  1. Me fez lembrar o meu menino dos olhos...A minha criança de 17 anos...rsrs

    Um lindo texto.

    Um beijinho, M!sunderstood

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