24 de nov de 2010

Horizonte

   Quando eu estava aprendendo sobre tempo, lugares e espaços, eu não entendia bem o que realmente era o horizonte. Um dia meu pai me levou à praia, em um final de tarde lindo de se lembrar e foi, então, que ele me apontou o horizonte e eu achei aquilo tão lindo, quase tão lindo quanto aquela tarde com meu pai na praia. Nesse dia eu tive meu primeiro sonho: conhecer o horizonte. Eu iria até ele. Não entendia quando as pessoas me diziam que era impossível. Era impossível porque elas não sabiam o caminho. E eu iria.

    Passados alguns anos, eu ainda tinha o mesmo sonho, de chegar ao horizonte, era o único lugar que eu queria conhecer e o único que negavam me levar. Onde eu morava, existia um velho, do qual as pessoas julgavam louco, não no bom sentido de louco que eu gosto, no sentido de doido mesmo. Contudo ele chamava a minha atenção. E eu conversava com ele e nós dois olhávamos o horizonte e sorríamos sentados em um banco qualquer do parque. Então ele me disse, como se adivinhasse meus pensamentos, que eu chegaria ao horizonte, se eu caminhasse sem parar, sem olhar para os lados, sem esperar pelos outros, mas que eu caminhasse rapidamente para dar tempo e chegar logo, pois o horizonte era muito distante.

    E assim eu fiz, aquele foi o primeiro dia de todos os outros dias idênticos que eu comecei a ter. Eu caminhei durante cada parte da minha vida, dormia e comia com pressa para continuar caminhando. Não tive tempo para conhecer mais ninguém, nunca senti amor por nada, não olhava para os lados. Existia algumas pessoas que me acompanhavam por um tempo, mas andar com elas ao meu lado atrasava-me, então, eu as afastava e seguia minha jornada sozinha. Eu, absurdamente, nunca parei para admirar um pôr-do-sol, nem as aves, nem o mar. Eu só queria chegar lá, a todo custo.

   E hoje estou aqui, dei uma volta no mundo e não encontrei o tal horizonte, na verdade, a cada passo que eu dava ele se afastava um passo, talvez eu tenha entendido do que se trata, mas de qualquer forma não importa mais, perdi toda minha vida em uma busca inútil. Não conheci, não chorei, não senti, não amei, nem sequer aproveitei a caminhada por causa da pressa. Talvez se eu tivesse deixado alguém vir comigo, esse tempo na estrada tivesse sido válido, entretanto nem isso. Agora apenas lamento o tempo perdido. 
 
 

2 comentários:

  1. Não lamente...Toda a busca traz um conhecimento, buscar pelo horizonte que acreditava ser possível conhecer, fez saber que ele é realmente impossivel de se alcançar, como dizem as outras pessoas. Adorei o texto, muito bonito mesmo.

    Um beijo!

    M!

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