29 de out de 2010

Mar e seu rumo

   Tão distante de tudo e de todos, mas tão perto do mar e do infinito, o que mais ele poderia querer?
   Estava sentando na areia deixando as ondas baterem em seus pés, observando o pôr do sol, era tudo tão lindo, tão perfeito que deixava-o sem entender o motivo de sua angústia. Essa angústia que tentou evitar durante os últimos dois meses em que nem pensara em aparecer ali de novo.
   Era exatamente um ano atrás, naquele mesmo lugar, naquele mesmo horário e aquele mesmo pôr do sol. Ele estava lá, porém não sozinho. Ele tinha levado-a junto aquela vez. Era o primeiro encontro deles, a primeira declaração e o primeiro beijo. Daquele dia em diante, ele fez da sua vida a vida dela, transformou seus objetivos em planos voltados a ela; se fez de novo, era completamente dela. E pela primeira vez ele se sentia completo de verdade. Até que chegou o dia, o dia em que saiu da boca dela as palavras que ele desejara nunca ouvir, ele ignorou o discurso pronto, mas não podia deixar de perceber as frases "preciso respirar outros ares" (...) "a gente se vê qualquer hora". Eram as suas últimas palavras, que as pronunciou e foi embora, como ele sabia que iria - ela sempre o avisara. Ela não tinha raízes, não fazia promessas, não falava sobre futuro e jamais sonhara com um lar, pois ela nunca permanecia. Ir de acordo com a estação, esse era seu plano. Contudo ele sabia que mesmo que o tempo tivesse sido curto, foi sincero. Ela nunca conseguiria fingir, sempre era apanhada em suas mentiras e sempre que ele se lembra disso, nem consegue, ao menos, segurar o riso.
    Agora ele estava só, olhando o mar; a melancolia tomava conta, porém sorria; sorria como nunca, pois aquela imensidão fazia-o lembrar-se dela; não uma lembrança comum, como quando se lembra de uma face sorrindo, mas uma recordação intensa. Ela era tão cheia de vida quanto os oceanos, a sua direção era tão incerta quanto as ondas, os seus sonhos eram tão infinitos quanto aquele horizonte, tinha como casa o mundo e vivia por sentir, para ser amada e só; desconhecia motivos e nada, para ela, precisava de sentido. Como o mar,  não existia maneira de segurá-la, era lamentável, mesmo assim, impossível não amá-los.

Um comentário:

  1. Ele foi um barquinho rústico, frágil,navegou nas curvas desta menina e acreditou ter visto um porto seguro em teu coração, mas o mar é traiçoeiro, outros ventos sopraram no litoral, ele atordoou-se , perdeu o controle dos remos como quem ignora os freios numa pista escorregadia.O seu mundo era reduzido, apêndice do mundo que ela apresentou e depois partiu, sem rumo, a terra firme aguarda-o para teu peito consolar, este, deveras vazio.

    p.s.: Adorei uma fala sua no comentário da minha nova postagem e aprovetei, peguei esse trecho e transformei em citação, espero que não se importe.
    Abraços!

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