23 de set de 2010

Voz interior

  Em luta com o que tem habitado seu corpo e lhe consumido a alma, ela se esforça para prender lágrimas que insistem em fugir.
  Esse estranho que tem a-dominado, já não a-deixa respirar, como se tivesse algo trancando-lhe a garganta. Um grito, que ela precisa, mas não pode soltar.
  Ela bem sabe o que é isso, afinal passara noites em claro para descobrir que não era angustia, nem a procura pela paz. Esse inferno interno, nada mais é que seu interior querendo, ambiciosamente, se tornar, também, exterior.
  É o seu ser tentando vir à tona. Contudo existem vozes que ela ouve do lado de fora, questionando-a, perturbando-a, confundindo-a. Essas vozes, que se apoderam dela, a-impedem de desabrochar seu ser.
   Levando uma vida imposta, fazendo e sendo o que dizem ser correto, mesmo contradizendo-se.
   Submetendo-se às vozes ela se perde do seu ser.
   Então ela abafa o grito que vem de dentro e a única voz que ela deveria ouvir, ela ignora. Logo sua vida já não lhe-pertence; somente suas lágrimas, o apelo pela verdade, o apelo da voz que vem de dentro.